Professora da Uespi denuncia ameaças de morte após participar de atos políticos no PI
22/10/2026
(Foto: Reprodução) Professora da Uespi denuncia ameaças de morte após participação em atos políticos no PI
Reprodução
A coordenadora do curso de pedagogia da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), campus de Parnaíba, Samara Oliveira, registrou um boletim de ocorrência após receber 13 ameaças de morte.
Segundo a professora, os bilhetes foram encontrados na porta do laboratório do curso no dia 15 de outubro, poucos dias após ela participar de manifestações políticas. O caso é investigado pela Polícia Civil.
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O g1 tentou contato com a Uespi, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.
A Associação dos Docentes da Uespi (ADCESP) manifestou, por meio de nota, solidariedade à professora, repudiou as ameaças denunciadas por ela e cobrou investigação do caso. Leia a nota completa.
Em entrevista ao g1, Samara relatou que encontrou os bilhetes ao chegar ao laboratório acompanhada de cinco estudantes. Segundo ela, as mensagens continham ameaças diretas e frases como "Samara aqui jaz" e "vai para o saco preto". Alguns dos papéis traziam apenas desenhos de cruzes, quadrados e triângulos.
"Foram deixados por debaixo da porta do laboratório do curso de pedagogia da Uespi, campus de Parnaíba, 13 bilhetes contendo ameaças de morte dirigidas a mim. Ao entrar no laboratório, acompanhada por cinco alunos, encontrei os bilhetes no chão, logo abaixo da porta", afirmou.
Agora no g1
A professora disse acreditar que as ameaças estejam relacionadas à atuação em manifestações políticas e em atos em defesa da democracia realizados nos últimos dias.
"Recebi com bastante medo. Os atos dos estudantes começaram em Parnaíba logo após o resultado do primeiro turno das eleições. A mobilização contou com estudantes e professores de diversos cursos em defesa da democracia", relatou.
Apesar do temor provocado pelas ameaças, Samara afirmou que não pretende deixar de participar das manifestações.
"Eu vou com medo, mas sinto que tenho que ir. Espero que o Estado faça a investigação e descubra quem fez isso. Tenho a sensação de que a pessoa conhecia minha rotina e sabia que eu estaria no campus naquele dia", declarou.
Denúncias e pedidos de proteção
Além do boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Parnaíba, a professora informou que formalizou denúncias e pedidos de providências em diferentes órgãos.
Segundo ela, uma manifestação foi registrada na Plataforma Integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação da Controladoria-Geral da União (CGU).
Também houve registro da ameaça na Ouvidoria da Uespi, solicitação de providências à Reitoria da universidade, à direção do campus e à Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), além de comunicação ao Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI).
A docente também prestou depoimento à Polícia Civil e aguarda as medidas adotadas pelos órgãos responsáveis.
Nota da ADCESP
A Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Piauí (ADCESP), Seção Sindical do ANDES-SN, manifesta sua irrestrita solidariedade à professora Samara de Oliveira Silva, integrante da direção da ADCESP na Coordenação Regional de Parnaíba, diante da grave denúncia de ameaça de morte sofrida pela docente. Há suspeitas de que a ameaça tenha origem em setores do bolsonarismo de Parnaíba, o que precisa ser rigorosamente investigado.
Samara é professora do curso de Pedagogia da Uespi, respeitada pesquisadora sobre Educação, e uma liderança sindical que atua em consonância com as resoluções do 69º CONAD do ANDES-SN. Dentre as decisões do evento, está o enfrentamento à extrema direita, cujas políticas e ações representam ameaças aos serviços públicos, às universidades e aos direitos da classe trabalhadora.
Neste segundo turno das eleições presidenciais, esse posicionamento se expressa na defesa do voto no 13, de Lula, pelo ANDES-SN e suas seções sindicais. Em Assembleia Geral realizada no dia 7 de outubro, os(as) filiados(as) da ADCESP decidiram democraticamente ratificar essa orientação, reafirmando que o voto no 13 não representa um cheque em branco, tampouco a renúncia à autonomia e à independência sindical diante de qualquer governo.
Repudiamos veementemente essa tentativa de intimidação, praticada por quem se acovarda no anonimato para ameaçar a vida de uma professora e dirigente sindical. Ameaças dessa natureza são inadmissíveis e constituem uma afronta à liberdade de expressão, à organização sindical e aos princípios democráticos.
Exigimos da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Piauí uma investigação célere, rigorosa e transparente, capaz de identificar e responsabilizar o autor ou os autores da ameaça, bem como a adoção imediata das medidas necessárias para garantir a segurança e a integridade física da professora Samara. Além disso, o sindicato também encaminhou ofício para a reitoria da UESPI pedindo que a universidade tome as medidas cabíveis e necessárias nesse momento.
Não aceitaremos que ameaças, intimidações ou qualquer forma de violência sejam utilizadas para tentar silenciar docentes, dirigentes sindicais ou qualquer pessoa que exerça legitimamente seus direitos políticos e democráticos.
A ADCESP seguirá firme na luta em defesa da universidade pública, gratuita, democrática e socialmente referenciada, da liberdade de expressão, do direito à organização sindical e do respeito às diferenças. Não abriremos mão do enfrentamento à extrema direita nem da defesa intransigente dos direitos da classe trabalhadora.
Toda solidariedade à professora Samara!
Ameaças não nos calarão!
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