Estiagem severa destrói lavouras e reduz produção de abacaxi em 80% em Porto Grande, no Amapá

  • 01/11/2026
(Foto: Reprodução)
Agricultores de Porto Grande enfrentam dificuldades para cultivo de frutos na estiagem A falta de chuvas e a seca severa estão provocando prejuízos históricos para a agricultura familiar na Colônia Agrícola do Matapi, em Porto Grande, município a cerca de 100 km de Macapá. Lavouras inteiras de frutas, como abacaxi, laranja, coco e banana, foram perdidas devido ao longo período de estiagem. Em apenas uma propriedade da região, cerca de 8 mil pés de laranja continuam carregados, mas os frutos apodreceram e perderam o valor comercial. Desde setembro, agricultores locais não conseguem realizar colheitas regulares. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AP no WhatsApp "Não tínhamos tido um ano como esse, com uma seca desta proporção. A fruta está totalmente seca e não tem mais mercado. Toda essa produção já foi perdida", lamentou o agricultor Vilmar Laurindo. A estiagem também derrubou pés de banana e afetou gravemente a produção de coco. O produtor rural Joilson Oliveira de Souza relata que a colheita caiu drasticamente: antes, ele retirava 2.500 cocos por semana; agora, consegue colher apenas 500 a cada 15 dias. A principal atividade econômica do município, a cultura do abacaxi — que possui desde 2024 o selo de Indicação Geográfica (IG) por suas características únicas de sabor e qualidade —, é uma das mais atingidas. A colheita na região despencou de cerca de 80 toneladas mensais para menos de 15 toneladas, uma redução superior a 80%. "Porto Grande tem cerca de 5 milhões de pés de abacaxi, mas boa parte já está morrendo. É uma situação climática natural, mas que precisa de políticas públicas para auxiliar o produtor com urgência", explicou Suel de Araújo Diniz, presidente da Associação dos Produtores de Abacaxi de Porto Grande. Mesmo nas lavouras com ciclo completo de 12 meses, os frutos não atingiram o tamanho necessário para a venda. Segundo a associação de produtores, compradores já sinalizam escassez de abacaxi no mercado regional. A poucas propriedades de distância, o cenário muda onde há irrigação. O agricultor Márcio Braga Pereira conseguiu manter a lavoura verde e produtiva graças a um sistema de irrigação financiado por programa estadual. O equipamento é avaliado em cerca de R$ 60 mil. "Se não fosse a irrigação, a minha plantação estaria perdida, como a de muitos outros produtores", afirmou Márcio. De acordo com Aldiclei Barbosa dos Santos, presidente da Associação dos Agricultores da Colônia Agrícola do Matapi, o projeto foi captado junto à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural (SDR) por meio de edital, beneficiando 20 produtores. Contudo, para a maioria das cerca de 600 famílias da comunidade, o acesso à água ainda é inviável financeiramente sem apoio governamental. Além de cestas básicas para socorro imediato, os produtores cobram a perfuração de poços artesianos e a instalação de sistemas de irrigação para salvar o cultivo dos próximos anos. Para tratar da crise causada pela estiagem na região, representantes dos agricultores reuniram-se com equipes da Defesa Civil Estadual, do Instituto de Extensão de Assistência e Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap) e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema). Estiagem severa destrói lavouras e reduz produção de abacaxi em 80% em Porto Grande, no Amapá. Arquivo/g1 Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá ​

FONTE: https://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2026/11/01/estiagem-severa-destroi-lavouras-e-reduz-producao-de-abacaxi-em-80percent-em-porto-grande-no-amapa.ghtml


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