Especialistas e empresários defendem reforma tributária em carta-manifesto a candidatos à Presidência da República

  • 10/09/2026
Cerca de 100 especialistas, acadêmicos, empresários e ex-autoridades da área econômica e tributária divulgaram uma carta-manifesto aos candidatos à Presidência da República em defesa da reforma tributária sobre o consumo, promulgada em dezembro de 2023. Entre os signatários, estão Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, Andrea Calabi, ex-presidente do Banco do Brasil e do BNDES, o empresário Jorge Gerdau, Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda, Vanessa Canado, ex-assessora especial do Ministério da Economia para reforma tributária no governo Bolsonaro e Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara dos Deputados. 🔎Veja a lista dos economistas que subscreveram a carta-manifesto no fim dessa reportagem. No documento, eles avaliam que a reforma tributária, atualmente em fase de implementação, representa um "grande avanço institucional que corrige distorções que prejudicam sobremaneira a produtividade, a competitividade e o potencial de crescimento de nosso País". "Nesse contexto, propostas que defendam sua revogação ou suspensão são vistas com grande preocupação, pois geram insegurança e comprometem os benefícios esperados da reforma", acrescentam eles, na carta-manifesto. Segundo o documento, o modelo de IVA Dual (CBS e IBS), novos impostos sobre o consumo não cumulativos do governo federal, estados e municípios, que substituirão outros tributos, como PIS, Cofins, ICMS e ISS, "incorpora o que há de melhor na experiência internacional de tributação de bens e serviços". "O modelo brasileiro introduz várias inovações relevantes, possíveis graças ao nosso avanço tecnológico na gestão de documentos fiscais eletrônicos e de meios eletrônicos de pagamento", observam os analistas. Segundo eles, a reforma tributária permitirá: simplificar a estrutura tributária, reduzindo custos para as empresas e desestimulando o contencioso tributário, que resulta da complexidade do sistema atual; desonerar totalmente os investimentos e as exportações, através da eliminação da incidência cumulativa e das restrições ao ressarcimento de saldos credores acumulados que caracterizam o sistema tributário atual; corrigir distorções na forma de organização da produção, que reduzem a produtividade e dificultam o crescimento do Brasil; reduzir a sonegação e as fraudes, viabilizando menores alíquotas para os novos tributos, beneficiando os bons contribuintes; tornar o sistema mais progressivo, através da devolução de parcela dos tributos para as famílias de baixa renda, e mais transparente, explicitando o custo dos tributos para os consumidores; implementar a tributação no destino, eliminando a guerra fiscal entre os entes da federação; criar um novo modelo de política de desenvolvimento regional, substituindo o regime distorcido e ineficiente baseado em incentivos fiscais pouco transparentes; e fortalecer o pacto federativo e garantir a autonomia dos estados e municípios para que estabeleçam, de forma transparente e em diálogo com seus cidadãos, o nível de tributação adequado às necessidades e prioridades de cada jurisdição. Aperfeiçoamento No documento, os analistas admitem que há "custos de transição" na reforma tributária, mas acrescentam que, em sua visão, os "efeitos de longo prazo da Reforma Tributária são inequivocamente positivos". A expectativa do Ministério da Fazenda é de que a reforma impulsione o PIB em até 20,2% em 15 anos por conta do aumento da produtividade e dos investimentos. "O debate democrático sobre seu aperfeiçoamento é legítimo e necessário, mas pode ocorrer ao longo do processo de implementação. Divergências sobre algumas características do novo modelo tributário não podem ser utilizadas como justificativa para reabrir a discussão sobre a Reforma Tributária ou interromper sua efetivação. Isso geraria insegurança para as empresas e entes federativos que já estão implementando as mudanças necessárias e investindo recursos para adaptação ao novo regime", acrescentaram os analistas. Para eles, a reforma é uma "conquista do Estado brasileiro, não de um governo ou partido político específico". Analisam que ela foi "construída democraticamente e aprovada pelo Congresso Nacional, após profundas discussões envolvendo os entes federativos e os diferentes setores da sociedade". "Por essas razões, convencidos de que estamos todos unidos em buscar o melhor para o Brasil, pedimos respeitosamente seu apoio para a continuidade da implementação da Reforma Tributária do Consumo", concluem. Especialistas que assinaram a carta-manifesto Afonso Arinos: Professor e pesquisador da FGV/EPGE Alexandre Manoel: Consultor e pesquisador associado do FGV IBRE Alexandre Schwartsman: Ex-diretor do Banco Central do Brasil e consultor Alexis Fonteyne: Ex-deputado federal e empresário Amaury Rezende: Professor titular da USP/FEARP Ana Carla Abrão Costa: Economista Ana Paula Vescovi: Ex-secretária do Tesouro Nacional e consultora Andrea Calabi: Professor FEA-USP, Ph.D. Berkeley, pesquisador Fipe. Foi Secretário do Tesouro Nacional, Secretário de Fazenda do Estado de São Paulo e Presidente do Banco do Brasil e do BNDES Ângelo de Angelis: Ex-auditor fiscal, economista e consultor Aod Cunha: Ex-secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul Armando Monteiro Neto: Ex-Senador e Ex-Presidente da CNI Armínio Fraga: Economista, ex-presidente do Banco Central do Brasil Bernard Appy: Economista, ex-secretário da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda Bráulio Borges: Economista-sênior da LCA e pesquisador-associado do FGV IBRE Camilla Cavalcanti: Ex-diretora da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda Carlos Eugenio da Costa: Professor e pesquisador da FGV/EPGE César Mattos: Economista e consultor da Câmara Ciro Biderman: Diretor do FGV Cidades Cleveland Prates: Ex-conselheiro do CADE e consultor Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt: Economista e Professora da FGV Cristina Pinotti: Economista e consultora Daniel Loria: Ex-diretor da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda Décio Padilha: Ex-secretário da Fazenda de Pernambuco Eduardo Fleury: Advogado e economista, ex-consultor do Banco Mundial Elena Landau: Advogada e economista, ex-diretora do BNDES Ernesto Lozardo: Professor de economia da EAESP-FGV e ex-presidente do IPEA Eurico de Santi: Professor e coordenador do NEF da FGV Direito SP e diretor do CCiF Fábio Colletti Barbosa: Administrador e executivo Fábio Giambiagi: Ex-superintendente de Planejamento do BNDES e exconsultor do BID Felipe Salto: Ex-diretor-executivo da IFI, ex-secretário da Fazenda e Planejamento de São Paulo, economista-chefe Fernando de Holanda Barbosa: Professor da FGV/EPGE Fernando de Holanda Barbosa Filho: Professor e pesquisador do FGV/IBRE Fernando Valente Pimentel: Representante de setor empresarial George Bezerra: Ex-economista da CNI e professor de economia Giovanni Padilha: Auditor fiscal da Receita Estadual na Sefaz-RS Haroldo Ferreira: Representante de setor empresarial Helcio Tokeshi: Economista, ex-secretário da Fazenda do Estado de São Paulo e ex-secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda Heleno Torres: Professor Titular de Direito Financeiro da Faculdade de Direito da USP e advogado Horácio Lafer Piva: Empresário Idarilho Gonçalves Nascimento Neto: Representante de setor empresarial Isaías Coelho: Pesquisador do Núcleo de Estudos Fiscais da FGV Direito SP João Batista Ferreira Dornellas: Representante de setor empresarial Jorge Arbache: Professor de Economia da UnB e ex-economista sênior do Banco Mundial Jorge Gerdau Johannpeter: Empresário Jorge Jatobá: Ex-secretário de Política de Emprego e Salário do Ministério do Trabalho e secretário da Fazenda de Pernambuco, professor titular aposentado da UFPE José Augusto de Castro: Representante de setor empresarial José Ricardo Roriz Coelho: Representante de setor empresarial José Roberto Mendonça de Barros: Ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e ex-secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior da Presidência da República José Teófilo Oliveira: Ex-secretário da Fazenda do Espírito Santo José Velloso Dias Cardoso: Representante de setor empresarial Josué Gomes da Silva: Empresário, ex-presidente da FIESP Josué Pellegrini: Ex-diretor da IFI Leonardo Alvim: Procurador da Fazenda Nacional, coordenador do Comitê Tributário da Câmara de Segurança Jurídica da AGU Leonel Pessoa: Professor da FGV Direito SP Luiz Carlos Hauly: Deputado Federal Luiz Henrique Braido: Professor e pesquisador da FGV/EPGE Maílson da Nóbrega: Economista, ex-ministro da Fazenda no período 1988- 1990 Manoel Procópio Moura Júnior: Ex-diretor da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária Marcelo Chara: Representante de setor empresarial Marcelo Portugal: Professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Marcio Ferreira Verdi: Secretário-executivo do CIAT Márcio Holland: Professor da EESP/FGV e ex-secretário de Política Econômica Marco Polo de Mello Lopes: Representante de setor empresarial Marcos Mendes: Doutor em economia e pesquisador associado do Insper Marcus Pestana: Diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) Maria Carolina Gontijo: Advogada tributarista, professora e dona do perfil Duquesa de Tax nas redes sociais Maria Helena Zockun: Diretora de pesquisas da FIPE Mario Engler: Professor da FGV Direito SP Mario Ramos Ribeiro: Professor titular da UFPA Mário Sérgio Carraro Telles: Mestre em economia pelo CEDEPLAR/UFMG Marta Arretche: Cientista política, professora titular do Departamento de Ciência Política da USP Martus Tavares: Ex-ministro do Planejamento Miguel Abuhab: Engenheiro e empresário global na área de tecnologia Nelson Machado: Diretor do Centro de Cidadania Fiscal. Ex-ministro da Previdência Social Otaviano Canuto: Ex-vice-presidente e diretor executivo no Banco Mundial, ex-diretor executivo no FMI e ex-vice-presidente no BID Paulo Camilla Penna: Representante de setor empresarial Paulo Tafner: Economista e diretor presidente do IMDS Pedro Cavalcanti: Professor e pesquisador da FGV/EPGE Pedro Fernando Nery: Professor de Economia do IDP Pedro Humberto Bruno de Carvalho Junior: Economista e pesquisador em política tributária Pedro Passos: Empresário Pedro Wongtschowski: Empresário Raul Velloso: Economista e presidente do INAE Renato Baumann: Economista do IPEA e professor da UnB Renato Fragelli Cardoso: Professor e pesquisador da FGV-EPGE Renato Villela: Ex-secretário da Fazenda de SP e RJ Ricardo Varsano: Consultor de política tributária, ex-economista sênior do FMI e ex-diretor de pesquisa do Ipea Rodrigo Maia: Ex-presidente da Câmara dos Deputados Rozane Siqueira: Professora titular do Departamento de Economia da UFPE Samuel Pessôa: Economista e pesquisador do FGV IBRE Sérgio Gobetti: Pesquisador do IPEA, ex-secretário adjunto de Política Fiscal e Tributária da SPE/Ministério da Fazenda Sérgio Prado: Professor livre-docente do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas Silvia Mattos: Professora e Pesquisadora do FGV/IBRE Synésio Batista da Costa: Representante de setor empresarial Tatiana Ribeiro: Diretora Executiva do Movimento Brasil Competitivo, entidade que reúne mais de 80 empresas Vander Lucas: Professor da Universidade de Brasília Vanessa Rahal Canado: Professora do Insper e ex-assessora especial do Ministro da Economia para assuntos relacionados à reforma tributária Zeina Abdel Latif: Economista e Consultora da Gibraltar Consulting

FONTE: https://g1.globo.com/pr/parana/economia/noticia/2026/09/10/especialistas-e-empresarios-defendem-reforma-tributaria-em-carta-manifesto-a-candidatos-a-presidencia-da-republica.ghtml


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