Copa do Mundo 2026: participação do Irã reacende tensões no esporte e na diplomacia global

  • 03/05/2026
(Foto: Reprodução)
Réplicas do troféu da Copa do Mundo são exibidas em loja de Teerã, capital do Irã, no dia 23 de abril de 2026 Majid Asgaripour/Wana/Reuters A cerca de 40 dias do início da Copa do Mundo de futebol, a participação do Irã no torneio voltou a expor tensões diplomáticas no cenário internacional. Nesta semana, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmaram que a seleção iraniana estará presente na competição, apesar das controvérsias geopolíticas que envolvem o país. Durante um congresso da FIFA realizado em Vancouver, no Canadá, Gianni Infantino foi direto ao confirmar a presença da seleção iraniana no Mundial: “Quero confirmar que o Irã participará da Copa do Mundo”, declarou o presidente da FIFA. “E, é claro”, acrescentou, “o Irã jogará nos Estados Unidos”.  Pouco depois, questionado por jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, o presidente norte-americano, Donald Trump, respondeu em tom irônico, citando diretamente o dirigente da FIFA: “Se o Gianni disse isso, então estou de acordo”.  ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Para analisar o contexto político por trás desses anúncios, a reportagem da RFI ouviu Raphaël Le Magoariec, doutor em Geopolítica pela Universidade de Tours, na França, e especialista em Oriente Médio.  Segundo ele, Donald Trump foi colocado “diante de um fato consumado” e se mostra incomodado com a postura da FIFA, que tenta se afastar das disputas geopolíticas, especialmente em um momento de forte tensão na região.  O presidente da Fifa, Gianni Infantino, discursa durante congresso da Fifa, no Canadá, em 30 de abril de 2026. Jennifer Gauthier/ Reuters “O presidente americano foi colocado diante de um fato consumado e, sobretudo, ele está muito incomodado com o discurso da FIFA, que deseja, como vimos na última quinta-feira (30), sair da geopolítica, especialmente desta geopolítica regional do Oriente Médio, que está atualmente pegando fogo”.  Interesses da FIFA acima dos conflitos internacionais Le Magoariec lembra que Gianni Infantino tentou, durante a assembleia da FIFA, aproximar os presidentes das federações israelense e palestina, em uma tentativa de mediação simbólica. “Vemos claramente que o presidente da FIFA, que atribuiu o primeiro Prêmio da Paz da FIFA a Trump em dezembro, está incomodado com os desdobramentos e com toda a política de Donald Trump no Oriente Médio atualmente”.  Vídeos em alta no g1 Para o especialista, a iniciativa não teve sucesso, mas revela ambições políticas do dirigente máximo do futebol mundial. “Não funcionou, mas vemos muito bem que ele está tentando; podemos até nos perguntar se ele não tem vontade de obter ele próprio o Prêmio Nobel da Paz”, sugere.  Le Magoariec destaca ainda que, para Infantino, os interesses financeiros da instituição têm prioridade sobre os conflitos internacionais. “Para ele, o que conta é o lucro e enriquecer cada vez mais a FIFA. Portanto, todas as rivalidades geopolíticas devem silenciar para que o lucro prevaleça. Essa é a realidade dele”, opina.  Futebol e poder político no Irã  De acordo com o especialista, Gianni Infantino insiste em assumir um papel político no cenário internacional. Nesse contexto, o futebol iraniano não pode ser dissociado do poder político, nem dentro do Irã nem em outros países do Oriente Médio e do Golfo Pérsico.  Raphaël Le Magoariec lembra que a seleção representa oficialmente a República Islâmica do Irã e que a estrutura esportiva está diretamente ligada ao regime, já que “a federação iraniana é dirigida por Mehdi Taj, um ex-membro da Guarda Revolucionária”, detalha o especialista.  Segundo ele, o esporte é utilizado como instrumento simbólico de controle social.  “É preciso compreender que o futebol, a luta ou o voleibol são para o Irã elementos simbólicos de controle social.” Esse vínculo entre esporte e política não é exclusivo do Irã, afirma Le Magoariec. “Mesmo em outros países da região, nos países do Golfo Pérsico, não está dissociado da política e faz parte do simbolismo do poder, da encenação da potência e do controle social.”  Le Magoariec cita ainda declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que demonstrou preocupação com a composição da delegação iraniana que viajará aos Estados Unidos. “Foi por isso que Marco Rubio insistiu que o problema não eram os jogadores, mas sim a delegação. É preciso ver quem fará parte da delegação que irá viajar. É isso que causa preocupação”.  Onde o Irã vai jogar?  Apesar da confirmação da presença do Irã no Mundial, permanece a dúvida sobre os locais dos jogos da seleção. O Irã está no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia, com partidas previstas para Los Angeles e Seattle.  Para Raphaël Le Magoariec, uma alternativa seria transferir os jogos para outro país-sede da Copa, como México ou Canadá. “Essa é realmente a solução: que sejam deslocados para outro país. Sabendo que o Irã deveria jogar especialmente em Los Angeles, onde vive a maior comunidade iraniana nos Estados Unidos.”  O especialista ressalta, no entanto, que a seleção iraniana não conta com apoio unânime da diáspora. Segundo ele, “uma parte da diáspora é contra esta seleção”.  Precedentes e riscos de contestação  Le Magoariec lembra que a Copa do Mundo de 2022, no Catar, ocorreu após a morte da jovem Mahsa Amini, detida pela polícia da moralidade iraniana por supostamente não usar o hijab de forma adequada. Na ocasião, muitos torcedores iranianos vaiaram a própria seleção, vista como representante do regime.  Para o especialista, a FIFA não demonstra a mesma preocupação neste novo Mundial.  “A FIFA tentou organizar os jogos em locais onde houvesse muitos torcedores, mas existe essa questão da contestação, pois grande parte da diáspora vê a seleção hoje como a seleção da Guarda Revolucionária”.  Casos recentes, como a desistência da delegação iraniana de participar do congresso da FIFA no Canadá, alegando problemas migratórios, reforçam como a Copa do Mundo que se aproxima segue profundamente marcada pela geopolítica.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/05/03/copa-do-mundo-2026-participacao-do-ira-reacende-tensoes-no-esporte-e-na-diplomacia-global.ghtml


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