Caso Igor Peretto: irmã presa acusada de participar do assassinato envia carta a juiz: ‘Não mereço estar aqui’
07/10/2026
(Foto: Reprodução) Marcelly Peretto, acusada de envolvimento no assassinato do irmão Igor Peretto, enviou carta ao juiz de Praia Grande, SP
Reprodução
Marcelly Peretto, acusada de envolvimento no assassinato do irmão e comerciante Igor Peretto, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, enviou uma carta ao juiz Felipe Esmanhoto Mateo, da Vara do Júri, das Execuções Criminais e da Infância e da Juventude da cidade. Nela, a mulher afirmou ter sido ameaçada a fugir com o ex-marido Mário Vitorino e pediu uma oportunidade para recomeçar a vida.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) concluiu que Marcelly (irmã por parte de pai), Mário (cunhado) e Rafaela Costa da Silva (viúva) premeditaram a morte de Igor porque ele era um "empecilho no triângulo amoroso". A Justiça determinou que todos sejam julgados pelo Tribunal do Júri.
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O crime aconteceu no apartamento de Marcelly, em 31 de agosto de 2024. A mulher está presa e foi pronunciada por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e meio cruel. O julgamento dela está marcado para o dia 26 de novembro.
A carta
O g1 teve acesso a íntegra da carta escrita à mão por Marcelly. Ela começou o texto afirmando não ter tido qualquer tipo de participação na morte do irmão.
"Ao chegar no quarto, o meu irmão já estava sem vida. Entrei em estado de choque e comecei a gritar pedindo socorro. Através de pressões psicológicas e ameaça de Mario e reconhecendo o estado do Mario. Se eu não tivesse a reação de sair com ele, hoje eu não estaria viva", escreveu Marcelly.
Marcelly Peretto, acusada de envolvimento no assassinato do irmão Igor Peretto, enviou carta ao juiz de Praia Grande, SP
Reprodução e Redes Sociais
Em seguida, ela contou que conheceu Mário aos 14 anos e foi emancipada pelos pais para casar com ele aos 17. "Eu dependia totalmente dele emocionalmente, ele determinava e decidia tudo que eu iria fazer. Por ele ser meu primeiro namorado, eu não tinha voz ativa, eu obedecia", contou ao juiz.
Oportunidade
Marcelly afirmou que sempre se esforçou para ter "um futuro lindo", mas a cadeia é um lugar humilhante, onde ela é rejeitada por muitas pessoas. A acusada acrescentou que tem bom comportamento, fez curso, resenhas de livros e está trabalhando na prisão.
"Meus pais sofrem muito, meu pai perdeu um filho e a outra [filha] perdeu por uma prisão injusta. Ele quando vem me visitar sai destruído, pois tem 65 anos, não tem mais saúde para sofrer tanto. Ele sabe que não mereço estar aqui por acreditar em mim", ressaltou Marcelly.
A acusada disse que tem vergonha de ser conhecida pelo crime. Ela afirmou que sonha em construir uma família, educar os futuros filhos e ser aeromoça. "Suplico-lhe uma oportunidade de recomeçar", finalizou.
Irmão vereador
Tiago (à esq.) e Igor (à dir.) Peretto
Reprodução/Instagram
Ainda na carta, Marcelly disse que o irmão e vereador de São Vicente (SP), Tiago Peretto (Podemos), se aproveitou da morte de Igor para se candidatar.
"Antes de dar mídia, ele estava totalmente ao meu lado. Ele faz tudo isso para ter plateia, ele nunca foi próximo de ninguém, nem do nosso irmão que ele diz querer justiça. Ele me expõe, me humilha e faz a população ter ódio de mim, sem ao menos me conhecer e conhecer a verdade", escreveu Marcelly.
Tiago já era vereador em São Vicente antes da morte do irmão. Após o ocorrido, ele foi o parlamentar mais votado da cidade em 2024. Nas Eleições de 2026, ele se candidatou a deputado estadual e teve 35.219 votos, mas não foi eleito.
Ao g1, ele disse que sempre foi conhecido na cidade. "Nunca precisei de mídia dela para nada. Eu esculacho ela e continuo esculachando porque ela tem que ser condenada pelo homicídio. Se Deus olhar direitinho, e eu sei que vai, se Deus é justo, ela vai ter a pena máxima", afirmou.
Vídeos mostram momentos antes e depois do assassinato de comerciante que descobriu traição
O vereador acrescentou que acreditou na irmã até ver os vídeos das câmeras de monitoramento do dia da morte de Igor. "Ela dizia que teria sido sequestrada pelo Mário, né? Por isso, a gente estava defendendo ela. A gente nunca ia imaginar que ela teria coragem de ajudar a matar o próprio irmão".
"Ela tem que ter ciência que por trás da mídia tem promotores, juízes, a polícia, os fatos. E contra fatos não tem argumento. Nada que ela disser sobre mim vai apagar o que ela fez. Então, ela tenta desviar o foco, e o foco é ela responder pelo crime que ela cometeu. Apenas isso", finalizou o vereador.
O g1 entrou em contato com a defesa de Marcelly e com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Leia a íntegra da carta escrita por Marcelly ao juiz:
"Excelentíssimo senhor juiz,
Venho respeitosamente perante Vossa Excelência, por meio desse simples ofício escrito a próprio punho, contar um pouco da minha história...
Eu Marcelly, tenho 23 anos, fui presa com 21. Estou reclusa a 1 ano e 8 meses, sendo acusada no artigo 121 por ter incentivado o meu ex-marido a ter matado o meu irmão Igor, onde não tive nem a maior e nem a menor participação, como o senhor sabe através do laudo necroscópico e a reconstituição do crime. Ao chegar no quarto, o meu irmão já estava sem vida. Entrei em estado de choque e comecei a gritar pedindo socorro e através de pressões psicológicas e ameaça de Mario e reconhecendo o estado do Mario. Se eu não tivesse a reação de sair com ele, hoje eu não estaria viva. Na minha cabeça, só passou: 'Ele matou meu irmão. Se eu ficar, ele me mata'.
Foram anos naquele casamento, e naquele dia, ele estava irreconhecível. Foram oito anos de casamento, conheci ele com 14 anos, namoramos e, com 17 anos, os meus pais me emanciparam para casar com ele, pois a partir do casamento, ele tomou total controle de mim. Eu dependia totalmente dele emocionalmente, ele determinava e decidia tudo que eu iria fazer. Por ele ser meu primeiro namorado, eu não tinha voz ativa, eu obedecia qualquer voz de comando dele.
Sempre fui uma menina determinada, com sonhos, trabalhadora. Sempre me esforcei para ter um futuro lindo, e hoje me encontro presa, estando em um lugar que não condiz com quem eu sou. Minha realidade é totalmente oposta com o que vivo aqui. Fui condenada, julgada, humilhada, exposta publicamente por pessoas que não sabem quem sou e da verdade do que aconteceu.
Meus pais sofrem muito, meu pai perdeu um filho e a outra perdeu por uma prisão injusta. Ele quando vêm me visitar sai destruído, pois tem 65 anos, não tem mais saúde para sofrer tanto. Ele sabe que não mereço estar aqui por acreditar em mim.
Meu irmão Tiago se aproveitou de tudo para ser conhecido e ser eleger. Eu sofro tanto, pois antes de dar mídia, ele estava totalmente ao meu lado. Ele faz tudo isso para ter plateia, ele nunca foi próximo de ninguém, nem do nosso irmão que ele diz querer justiça. Ele me expõe, me humilha e faz a população ter ódio de mim, sem ao menos me conhecer e conhecer a verdade. No meu aniversário, ele postou perguntando qual cor de cadarço eu queria de presente para me matar aqui.
Aqui sofro muito, senhor juiz. Tenho vergonha de ser conhecida pelo o que aconteceu. Aqui sou rejeitada por muitos, faz 6 meses que fui selecionada para trabalhar, pois lá consigo [ilegível] e ocupar a cabeça com algo bom, pois aqui é humilhante.
Neste período de reclusão, tenho bom comportamento, fiz curso, resenhas de livros, e estou na firma 'skymaster' desde 14/11/25.
Sempre trabalhei e sou uma boa filha aos meus pais que sofrem muito com minha prisão.
Anseio em construir minha família e educar meus sonhados futuros filhos com princípios e verdade, assim como fui criada.
Sonho em ser aeromoça.
Suplico-lhe uma oportunidade de recomeçar".
Morte de Igor
Mario Vitorino, Marcelly Peretto e Rafaela Costa foram presos por envolvimento na morte de Igor Peretto
Polícia Civil
O crime aconteceu em 31 de agosto de 2024, no apartamento de Marcelly. Dentro do imóvel estavam a vítima, Marcelly e Mário Vitorino. Rafaela chegou com Marcelly ao apartamento, mas o deixou 13 segundos antes do marido chegar com o suspeito do assassinato.
Segundo os depoimentos do trio e dos advogados, a viúva Rafaela tinha um caso com Mário. O advogado de Marcelly ainda disse que a cliente e Rafaela tiveram um envolvimento amoroso no local antes da chegada de Igor e Mario no apartamento.
Igor Peretto foi morto a facadas e teria ficado tetraplégico [sem movimento do pescoço para baixo] se tivesse sobrevivido. A informação consta em laudo necroscópico obtido pelo g1.
As mulheres se entregaram e foram presas em 6 de setembro, enquanto Mário foi detido após ser encontrado escondido na casa de um tio de Rafaela, em Torrinha (SP), no dia 15 do mesmo mês.
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