Calor extremo pode colocar atletas em risco em grandes eventos esportivos, alerta estudo

  • 06/03/2026
(Foto: Reprodução)
Tour de France 2023 Wikimedia Commons O Tour de France, uma das provas mais conhecidas de ciclismo do planeta, tem contado com a sorte para evitar tragédias de saúde causadas pelo calor extremo, segundo o estudo. A pesquisa foi publicada na revista Scientific Reports, analisou dados climáticos de mais de 50 edições da prova (entre 1974 e 2023) e concluiu que o risco de estresse térmico tem aumentado de forma constante, especialmente na última década. A pesquisa, liderada pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento Sustentável, da França, alerta que o evento tem escapado de condições de risco máximo por margens mínimas — às vezes por apenas alguns dias de diferença ou décimos de grau. “O calor provoca vasodilatação periférica, deixando a pele mais rosada e podendo causar tontura transitória ao levantar, devido a uma queda momentânea da pressão arterial. Também há redução de hormônios como adrenalina e cortisol. O corpo responde de forma automática e consciente ao calor, mecanismos moldados pela seleção natural. Esse estresse térmico provoca uma perda de volume de eletrólitos que pode superar a reposição que ocorre durante a prova”, explica Paulo Saldiva, professor da Universidade de São Paulo e membro titular da Academia Brasileira de Ciências. O que é o Índice de Estresse Térmico? O estresse térmico ocorre quando o corpo é exposto a temperaturas extremas, baixas ou altas, mas principalmente ao calor intenso, e não consegue se resfriar adequadamente e se manter nos 36,5 °C — ideal para o nosso organismo. Um índice bioclimático que analisa não apenas a temperatura, mas o conforto fisiológico do corpo humano diante de algumas condições específicas, como calor, umidade do ar, vento e índice de radiação, é utilizado para avaliar o estresse térmico. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Desafio global para o esporte O estudo usa o Tour de France para ilustrar um desafio que afeta todo o esporte de elite no verão, incluindo federações como a FIFA. O calor excessivo não prejudica apenas o desempenho, mas oferece riscos graves à saúde de atletas, funcionários do evento e espectadores. De acordo com Paulo Saldiva, com as mudanças climáticas acontecendo em uma velocidade muito grande e sem precedentes, os protocolos precisam ser revistos. Hoje, não existe um padrão universal de segurança, isso ainda precisa ser construído. “Há um consenso de que, em provas realizadas em situações de calor extremo, é necessário adotar medidas de segurança. Mas a forma de aplicar essas medidas depende das características de cada esporte e das decisões de cada entidade esportiva”, diz. 📱: Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Embora o estudo foque no cenário europeu, os pesquisadores ressaltam que o aumento das temperaturas representa um desafio global para a organização de qualquer evento esportivo de verão, especialmente no esporte de elite. No contexto brasileiro, competições tradicionais como a Corrida Internacional de São Silvestre ilustram essa preocupação: realizada no auge do verão, a prova já teve seu horário deslocado para o período da manhã justamente para mitigar o desgaste físico. No entanto, o estudo alerta que, com o avanço das mudanças climáticas, mesmo as manhãs podem deixar de ser seguras, pois níveis elevados de estresse térmico têm persistido por períodos mais longos. No ciclismo, carros de apoio podem fornecer glicose ou outras fontes de energia de que o atleta precisa durante a prova. Já na Corrida Internacional de São Silvestre, o problema, segundo o docente, é que, embora exista um pelotão de elite com preparo e treinamento fisiológico adequados, também participam milhares de pessoas que correm para celebrar o Ano-Novo e tentar fazer o melhor possível, muitas vezes sem a devida assessoria, diferente dos atletas de elite. O que é o Tour de France? O Tour de France é uma das corridas de ciclismo mais tradicionais do mundo e a mais antiga das três principais competições ciclísticas europeias com duração de várias semanas, conhecidas como Grandes Voltas. Os ciclistas percorrem cerca de 3.500 quilômetros (km) de distância e sobem até quase 55 km de altitude acumulada ao longo de 21 etapas, com apenas dois ou três dias de descanso durante toda a extenuante prova. (*Estagiária, sob supervisão de Ardilhes Moreira)

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/03/06/calor-extremo-pode-colocar-atletas-em-risco-em-grandes-eventos-esportivos-alerta-estudo.ghtml


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